Friday, November 23, 2007

Para que servem os offsets?

US Forest Service and Carbon Offsets: Perspective: "

Writing in High Country News, Rick Craig suggests that the US Forest Service's entry into the carbon offsets game is ill-advised. Here's a snip:

Salvaging the Atmosphere: The Forest Service Joins the Carbon Offsets Game, Rick Craig, High Country News, Oct 15: … On July 25, Forest Service Chief Gail Kimbell announced the launch of the Carbon Capital Fund, which will sell carbon offsets to fund tree planting on national forests. … The idea sounds logical enough. In fact, the theory that forests can suck up excess carbon and cool the planet helps drive a market that doubled its revenues last year to $110 million. But the Forest Service's entry into the carbon offsets game comes as doubts about tree planting mount. Scientists are skeptical about its benefits, and the honesty of the unregulated market has been questioned in congressional hearings. Worst of all, critics feel, is the tacit permission offsets give buyers to continue their carbon-emitting lifestyles.



(Via Ecological Economics.)



Parece uma excelente idéia. Não existe vida civilizada sem emissão de gases do efeito estufa. Sendo assim, uma maneira de compensar nossas emissões permitiria seguir em frente mais ou menos do mesmo modo de sempre, sem grandes sacrifícios. O drama é que essa solução mágica não existe. O plantio de árvores pode ou não fixar carbono no solo, mas as incertezas científicas, econômicas e organizacionais ainda são enormes. Nesse contexto, comprar créditos de carbono não é muito melhor do que comprar indulgências.



Claro, sempre se pode argumentar que o dinheiro gasto na compra de créditos de carbono financia atividades ambientalmente virtuosas, como a restauração de ecossistemas degradados. Pode ser, mas isso precisa ser avaliado caso a caso



Um dia desses escrevo sobre o critério de adicionalidade do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Quioto...

Aquecimento global é problema dos ricos?

Global warming is a problem for rich countries to solve, China says:

China, anxious to sustain a runaway economy driven by car sales and energy consumption, has moved to deflect pressure to commit to mandatory emissions caps by stating that global warming is a problem for wealthy countries to resolve.



(Via DeSmogBlog - Clearing the PR Pollution that Clouds Climate Science.)



Bem-vindos à discussão sobre eqüidade no combate à mudança climática. Os países desenvolvidos chegaram onde estão emitindo muito dióxido de carbono, metano e outros gases do efeito estufa. Aqueles que querem seguir o seu caminho, o caminho da industrialização, geralmente acreditam que deverão fazer o mesmo - derrubar florestas, queimar carvão e petróleo, até chegar aos níveis de renda (e de consumo de energia) dos ricos.



Será que o planeta agüenta? Há muitos estudos dizendo que não. Por outro lado, não parece justo condenar bilhões de seres humanos à pobreza. Conciliar esses dois objetivos talvez não seja possível. Não existe razão a priori para acreditar que o planeta segura essa barra. Pelo contrário.



Mas sejamos otimistas, nem que seja apenas para completar o raciocínio. Digamos que com alguns investimentos em tecnologia seja possível substituir a base energética da vida civilizada no planeta. Fica no ar a questão: quem pagará essa conta?


ENQUETE MUNDIAL DA BBC

ENQUETE MUNDIAL DA BBC: "O site da BBC faz uma enquete:

'Você deixaria de comer carne para beneficiar o meio ambiente ?'

É óbvio que não. Que pergunta !

Uma picanha bem passada, por favor."



(Via Sopa de Tamanco.)



O site Sopa de Tamanco até que é bem engraçado. Eu só conhecia o Geneton daquelas entrevistas do Globo News, e li em qualquer lugar que ele já foi editor do Fantástico ou coisa assim. Mas acho que nessa notinha ele errou, pois a resposta não tem nada de óbvio.



Mas a piada sem graça tem seu valor didático. Dá para tirar dela pelo menos dois pontos interessantes. O primeiro é que quando o assunto é meio-ambiente, tudo está relacionado a tudo, e nem sempre as relações são tão óbvias. O segundo ponto é que a emissão de gases do efeito estufa é conseqüência de muitas de nossas atividades cotidianas. Os vilões somos nós, e não vai ser fácil alterar os comportamentos que levam à emissão dos gases.

Não faltam vilões nessa história

O bloqueio diplomático promovido pelo governo Bush contra o Protocolo de Quioto e outras iniciativas de controle de emissões de gases do efeito estufa produziu alguns resultados curiosos. Um deles é que alguns dos outros vilões dessa história não têm recebido muita atenção. Como os países exportadores de petróleo, por exemplo. Uma matéria do Christian Science Monitor diz que mudança climática foi um dos temas discutidos na cúpula da OPEP. Até recentemente a posição do cartel nas negociações climáticas era exigir compensações em troca de uma eventual redução da produção de combustíveis fósseis. Parece que no final das contas os membros da Organização criaram um fundo de US$ 750 milhões para o desenvolvimento de tecnologias de captura e armazenamento de carbono. É melhor do que nada? Sei lá.

The Global Warming in the Pipeline

Climate 411 » The Global Warming in the Pipeline:



Uma maneira de chamar a atenção do leitor para a urgência do problema da mudança climática é indicar o tamanho do estrago que já foi feito: mostrar que os gases do efeito estufa emitidos pelos humanos nos 100 anos e pouco desde a revolução industrial já "programaram" uma elevação considerável na temperatura do planeta. É o que faz a cientista Lisa Moore no "post" acima.



Ela também introduz o tema dos "lags", essencial para entender os efeitos antrópicos na atmosfera do planeta. O sistema não é linear, e a resposta pode ser defasada. O que puxa outro conceito que está na moda: o dos "tipping points", ou seja, dos pontos de inflexão. Tudo isso serve para dizer que a relativa estabilidade do sistema climático diante da quantidade de GEE já injetados na atmosfera não é garantia nenhuma de que "business as usual" é sustentável.